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Eis a versão coletiva/online/atual do “ficar de mal” específica para figuras públicas. Com o objetivo claro de provocar a fuga de seguidores, o fim de bons contratos e a perda de muito dinheiro à menor escorregadela que possa ofender alguém, o “cancelamento” ainda tem potencial para sair de controle e virar um tipo de linchamento virtual

Antigamente, quando um astro do cinema, do esporte, da música ou da TV pisava na bola, levava um tempo para perceber a baixa nas hostes de fãs: menos plateia em seus shows ou audiência em seus filmes, vaias em um estádio e um esvaziar de seus fã-clubes. Hoje, tudo acontece em tempo real, com resultados imediatos. O que antes a gente chamava de “cair em desgraça” hoje responde pelo nome de “cancelamento”.

Claro que tem gente que se esforça na babaquice para merecer o tsunami contrário, principalmente quando pisa na bola com humor barato que diminui deficientes, minorias raciais ou sexuais. Mas hoje, o megafone da internet e das redes pode elevar à categoria de “motivo real para cair em desgraça” coisas que antes talvez não suscitassem grandes debates: o risco de ofender alguém simplesmente com uma opinião é enorme.

Há um lado bom nisso tudo: a atenção para que novos conceitos sociais se estabeleçam, nos quais ninguém será ironizado ou esculhambado por ser quem é. Ou que não pratique crimes sexuais ou de violência sob o manto da “normalidade” de um metier.

Por outro lado, há um risco considerável: virar uma válvula de escape para que as pessoas extravasem suas raivas e frustrações em cima de alguém por razões nem sempre suficientes para que se mande alguém ao cadafalso e ao exílio social.

Como reagem as vítimas? Alguns vêm a público pedir desculpas (o que, definitivamente, tem se mostrado inócuo: haters não praticam o perdão). Outros simplesmente ignoram e deixam o tsunami passar (e têm bons resultados, pois, se não for nada imperdoável, a onda passa e as coisas costumam voltar ao normal). Muitos, em arroubos de sinceridade e de demonstrações de impaciência, respondem aos seus “canceladores” um simples “get a life”.

Para expor um certo ridículo dos excessos da “cultura do cancelamento”, o The New York Times publicou em novembro passado o vídeo abaixo: Here’s What Cancel Culture Looked Like in 1283. E você, o que acha? Vai rir ou cancelar o NYT – ou o #TMJ?

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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