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“Quem quer trabalhar com games tem que jogar de tudo”

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Vince Vader, professor da ESPM e autor de Level Hard – criando, produzindo e pesquisando games no Brasil, analisa o mercado de jogos no País e dá dicas para jovens que sonham em trabalhar nessa área

Vicente Martin Mastrocola, mais conhecido como Vince Vader, é apaixonado por games. Sejam eles de tabuleiro ou virtuais. Joga quando está em casa e também quando está no trabalho. Um sonho para muitos, não é mesmo? “Gosto de jogar de tudo: games infantis, para smartphone, tabuleiro e tenho até um Nintendo Switch em minha mesa para quando sobra um tempinho no trabalho”, afirma o professor da ESPM.

O especialista – autor do livro Level Hard – criando, produzindo e pesquisando games no Brasil – bateu um papo com o #TMJ sobre o mercado de games no País – que movimentou 1,5 bilhão de dólares em 2018, segundo a consultoria Newzoo – e disse onde estão as vagas para quem sonha em atuar nessa área. “Acredito que a área de marketing é a que hoje oferece mais oportunidades.”

Como é sua relação pessoal e profissional com games?

Eu brinco que hoje não consigo mais separar vida profissional e pessoal quando o assunto é games. Jogo porque tenho prazer, uma paixão desde criança. Ao mesmo tempo, trabalho com desenvolvimento de jogos e dou aulas. Uma coisa acaba alimentando a outra. Desenvolvo um game para o mercado e jogo com os meus amigos, o levo para a aula, transformo em artigo acadêmico e escrevo um livro. O tempo todo isso está na cabeça e foi essa paixão que me levou a trabalhar com desenvolvimento de games.

Ainda existe preconceito contra quem joga videogame?

Acho que hoje, até pelo fato de esses games estarem aparecendo mais na mídia, principalmente por conta dos e-sportes, acaba caindo bastante essa ideia. E também pelo fato de o game estar sendo usado em escolas e em treinamentos empresariais. Existe ainda, mas acaba sendo bem menor do que era na década de 1990 ou começo dos anos 2000. Tinha aquela imagem do gamer alienado.

“Eu brinco que a área de games é uma área de amadores, não no sentido da falta de conhecimento, mas de gente que ama muito”

Qual sua dica para jovens que sonham em trabalhar na indústria dos games?

Eu diria que tem que gostar de jogar e tem que jogar de tudo: tabuleiro, videogame, jogo para criança, game que você gosta e que não gosta. Também tem que ler muito sobre o mercado, acompanhar notícias. Mais do que ficar tendo ideias miraculosas, o que faz diferença em um mercado que está começando é entender de negócio. Como você ganha dinheiro com seu game? Eu brinco que a área de games é uma área de amadores, não no sentido da falta de conhecimento, mas de gente que ama muito. As pessoas amam demais aquilo e às vezes acabam colocando essa paixão acima da lógica. Aqui no curso de tech, a galera tem aulas de game design, programação, design 3D, game cultura e também aprende a pensar na modelagem do negócio.

“Falta despertar o interesse dessas empresas desenvolverem aqui para mostrar mais a cara do Brasil”

Como está o mercado de games no Brasil atualmente?

Está mais consolidado, começamos a ter sinais de que está engatinhando, mas ainda está longe do ideal. Algumas empresas brasileiras começam a ter protagonismo na área, como o estúdio AQUIRIS, criador do premiado Horizon Chase. E grandes empresas internacionais já marcam presença aqui, como Blizzard, Ubisoft, Warner Games, Riot, PlayStation e Microsoft. Falta despertar o interesse dessas empresas desenvolverem aqui para mostrar mais a cara do Brasil. Mas sem dúvida é um mercado que já aumentou muito. Segundo uma pesquisa da consultoria Newzoo, o mercado brasileiro de games movimentou 1,5 bilhão de dólares em 2018. Pelo tamanho do País, não é muito, mas já sinaliza algo para o mercado.

“A área de e-sports está crescendo brutalmente aqui”

E o que essas grandes empresas internacionais estão fazendo aqui?

Distribuição, lançamento do jogo no mercado, importação e tradução de jogos. Acaba tendo diferentes enfoques, mas essas empresas estão aqui muito pelo interesse de marketing. Tem também o caso da Riot, que é muito ligada a área de e-sports que está crescendo brutalmente aqui.

O quanto feiras como a BGS e a Game XP foram importantes para bombar esse setor?

Um setor bomba quando empresas começam a ver essas coisas na mídia. Eventos como Game XP, Brasil Game Show (BGS) e Comic Con serviram como pano de fundo para que marcas começassem a investir e ver resultado. Tanto é que hoje na BGS os maiores estandes não são da PlayStation ou Microsoft, mas sim de lojas de roupas que vendem camisetas da Marvel e de videogames. As marcas começaram a entender que há uma triangulação entre o consumidor, a feira e o licenciamento, e passaram a investir. Nem todo mundo que vai na BGS consegue comprar uma miniatura, um jogo ou um gadget. Tem gente que vai com pouca grana e compra uma camiseta para levar de lembrança. O pessoal de varejo sacou isso.

“Acredito que a área de marketing é a que hoje oferece mais oportunidades”

Quais áreas oferecem mais oportunidade para quem quer trabalhar com games no Brasil?

Acredito que a área de marketing é a que hoje oferece mais oportunidades. Por causa dos e-sportes, as marcas estão investindo em patrocínio e licenciamento. Em São Paulo, por exemplo, ocorrem grandes eventos, como Brasil Game Show, Comic Con Experience e as marcas precisam fazer stands e lançamentos de jogos.

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Filipe Oliveira

Do clã Kardashian-Jenner a entrevistas com CEOs, até o título mundial do Corinthians. Nessa vida de jornalista já cobri de tudo um pouco: esportes, tv e cinema, agronegócio, tecnologia, negócios, empreendedorismo e setor automotivo. Depois de uma temporada de estudos e aventuras na África do Sul, voltei ao Brasil em busca de um novo desafio. Assim vim parar na equipe que criou e produz o #TMJ.

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