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Pergunta sincera a estudantes de jornalismo: como vender algo que nem mesmo você paga para ter?

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No mundo do “tudo grátis” da internet e das redes, como fazer com que as novas gerações paguem por informação de qualidade – e que custa (e caro) para ser produzida

Minha primeira aula numa nova turma de Jornalismo sempre começa com uma pergunta: “quem ainda paga por informação?”. Vale assinatura de jornal ou revista (ou uma improvável compra em banca…), versão paga de newsletter ou de algum serviço informativo ou até mesmo um app freemium (parte grátis e parte paga para os conteúdos mais complexos e menos “commodities”). Nem 5% levantam a mão – na melhor das hipóteses. Reformulo a pergunta e volto à carga: “quantos de vocês sabem como burlar o paywall (quando um veículo impede a leitura de algum conteúdo restrito a quem é assinante do veículo ou que pague pelo acesso)?”. Agora, são 95% de mãos levantadas.

“Não tenho dinheiro para gastar com informação”, seguida de perto por “’prof’, pra que pagar se posso procurar o mesmo conteúdo de graça?”, lidera o ranking de explicações para esse comportamento consumidor de notícias.

Volto à carga com a pergunta “quem paga pelo Spotify?” – e um mar de braços levantados surge à minha frente. E isso apesar de que a música ali é de graça (e o que os jovens jornalistas estão pagando apenas pela comodidade de poder pular músicas e não ouvir publicidade).

Arremato com a última pergunta, aquela sobre a qual pensarão até o final do curso, quando deverão me dar uma resposta: “como vocês planejam sobreviver do Jornalismo vendendo algo pelo qual nem vocês estão dispostos a pagar?”.

Claro que nem eu tenho essa resposta – e, caso a tivesse, certamente estaria eu mesmo revolucionando o Jornalismo. Mas meu ponto é outro: a sinuca de bico de um tempo em que jovens estão pagando para ouvir música (que é de graça) apenas para não ver a publicidade (ainda a principal fonte de receitas que financia o Jornalismo).

Claro que pensar em novos modelos de negócios (micropagamentos e conteúdo patrocinado, por exemplo) ou novos formatos de conteúdo (listas, podcasts etc.) pode ser o caminho para uma resposta possível. Mas, garanto: se não nos esforçarmos para criar público para consumir informação de qualidade (pagando ou não por ela), o que nos restará é mesmo levar de 7×1 das fake news e viver de conteúdos de marca. O Jornalismo? Talvez viva como uma doce lembrança…

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Tags:
Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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