A indústria fonográfica parecia fadada ao desaparecimento, vítima de pirataria, desinteresse e da falta de um modelo de negócios que não estivesse baseado em suportes físicos como o CD ou o LP. Mas o Spotify achou um jeito de fazer a música renascer como produto de consumo. Outros segmentos têm muito a aprender com ele – principalmente o Jornalismo
Quem nasceu na década de 1990 ou antes e nunca passou uma tarde de sábado pirateando suas músicas preferidas em um CD ou um pen drive que atire a primeira pedra. Afinal, que mal pode haver em copiar uma música e não pagar nada? Quem melhor pode responder a isso são os grandes estúdios, gravadoras e grandes artistas que reinaram por décadas, vendendo LPs, CDs, fitas cassete.
Direitos autorais e lucro pela venda das músicas parecia um negócio fadado a fazer companhia aos dinossauros no cemitério da história. Até houve uma tentativa de se vender músicas por unidade, como no iTunes e outras plataformas. Ajudou, mas não fez as pessoas desistirem de armazenar milhares de músicas sem pagar nada…
E aí veio a sacada!
Até que, um dia, alguém se resignou: “Se a música é de graça, e as pessoas não parecem querer mais pagar por ela, que assim seja!”. Na verdade, dois alguéns: os suecos Daniel EK e Martin Lorentzon. E o hoje tão óbvio pensamento não poderia ser mais simples… Já que não podiam cobrar pela música, que tal fornecê-la de graça, via streaming e com qualidade, inclusive pagando direitos autorais?
Você deve estar se perguntando: e como ganhar dinheiro? Simples: o negócio deles é ter dois clientes distintos:
– quem quer ouvir música de graça, mesmo que, para isso, não possa escolher muita coisa e nem pular conteúdos
– quem quer vender para quem quer ouvir música de graça (qualquer empresa que queira anunciar)
Mas havia um “pulo do gato”, baseado em um terceiro cliente: quem quer ouvir música SEM anúncios, podendo criar muitas listas e PULAR as que não quer ouvir. Ou seja, gente que toparia PAGAR por essas comodidades.
Funcionou!
E fez-se o milagre! Jovens com pouco dinheiro no bolso, que antes pirateavam sem parar, passaram a pagar (barato) por músicas. Mas ainda há uma opção gratuita para quem não se importa com anúncios e a falta de liberdade de escolha.
O modelo freemium (parte grátis e parte paga) do Spotify, que não foi invenção dos suecos, rapidamente conquistou o mundo. Hoje, são mais de 217 milhões de usuários ativos – sendo que mais de 100 milhões PAGAM por assinaturas.
E isso foi o bastante para, mesmo sem acabar com a pirataria, ressuscitar a música como negócio, cobrando por ela, remunerando os artistas e respeitando seus direitos autorais (as reclamações sobre ser muito ou pouco o que se paga rende outro post). E à música no Spotify já se uniram podcasts (o que deu nova vida ao conteúdo em áudio) e vídeos. Uma bela trajetória desde 2008, não?
E o jornalismo com isso?
Se com a internet a informação virou a parte “grátis” do que as pessoas buscam na rede, e pela qual as pessoas não estão mais tão dispostas a pagar, como continuar produzindo noticiário de qualidade? Como resgatar o negócio Jornalismo? Talvez seja a hora de alguém criar um “Spotify de notícias”, testar um modelo de negócios que faça com que as pessoas continuem podendo ver, ouvir e ler notícias “de graça”, mas pagando por alguma comodidade que as convença a botar a mão no bolso.
Ou seria essa experiência um evento único e irrepetível? Com a palavra, os experts em negócios…
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