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Deepfake: não acredite nos seus olhos

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Os “inocentes” vídeos produzidos por algoritmos e inteligência artificial, colocando rostos reais em situações fakes, podem até ser engraçados hoje. Mas têm potencial de nos levar a não acreditar em mais nada

Imagine você ver seu rosto em um vídeo pornô (do qual você nunca participou) ou dizendo algo absolutamente incriminador (que nunca disse). Mas está lá. Para todo mundo ver – e ouvir. Até mesmo você duvida de que não seja você, de tão perfeito.

Esse poderia ser o mote de um episódio de Black Mirror (daqueles desconcertantes e assustadores). O mais perturbador é que já está acontecendo. Hoje mesmo. Na vida real (desculpe o irônico paradoxo). Você pode estar sendo vítima de algo que está transformando fake news em brincadeira de crianças: os deepfakes.

E nem adianta achar que isso só vai acontecer com presidentes da república, políticos ou celebridades (está aí a revenge porn das redes sociais que não me deixa mentir).

Basta ter uma foto sua circulando pelas redes

Esse foi o cenário descrito em outubro na palestra de abertura do Seminário “Desinformação: antídotos e tendências”, parte das comemorações dos 40 anos da Associação Nacional de Jornais – ANJ. Quem falou sobre o tema “Deepfakes: a última geração da desinformação” foi Sam Gregory, especialista em deepfakes, vídeos manipulados com uso de inteligência artificial e diretor da Witness, organização internacional sem fins lucrativos que capacita e ajuda pessoas a usarem o vídeo na luta por direitos humanos.

“Por que levar isso a sério?”, perguntou Sam à plateia. O principal fator está no acesso mais fácil às ferramentas e ao movimento que hoje torna os smartphones o centro de basicamente todas as nossas atividades online. “No início, era preciso recorrer a muitas imagens de alguém para o algoritmo conseguir criar algo crível”, relembrou Sam. “Hoje, não mais: se você tem uma única imagem no universo digital (numa rede digital ou em algum outro tipo de arquivo de informação rastreável), ela já serve de matéria-prima para um algoritmo criar um deepfake de qualidade com sua imagem.”

Antes, era preciso dominar sofisticados programas de edição de imagens e ferramentas que não estavam disponíveis para todo mundo. Hoje, não mais: essa tecnologia está disponível gratuitamente na internet (e programas mais sofisticados, de uso exclusivo de profissionais, se popularizam rapidamente, como o hoje famoso e bastante utilizado Photoshop). Outro componente cultural e cognitivo da humanidade favorece os deepfakes: somos treinados a acreditar naquilo que nossos olhos veem.

Um dos deepfakes mais famosos é o que mostra Barack Obama falando coisas que ele nunca diria. Veja como parece real:

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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