Jeff Koons: um artista valioso e controverso

Criador da obra mais cara de um artista vivo, norte-americano costuma terceirizar a produção de suas artes

 

Por Isa Gallo

 

Em 2019, o artista Jeff Koons, reconhecido mundialmente por seus trabalhos de arte moderna e suas diferentes representações da cultura pop, bateu o recorde de trabalho mais valioso de um artista vivo com sua escultura Rabbit, vendida por 91 milhões de dólares. Para muitos, como eu, ele é mais conhecido pela sua obra Balloon Dog, cujo nome explica bem o conteúdo. É uma escultura de uma bexiga de cachorro (igual aquelas que você ganhava em festas infantis quando era pequeno), mas gigante e metálica.

 

Jeff Koons é muito presente na cultura pop. Ele fez a capa do álbum Artpop, da Lady Gaga, e o rapper Jay-Z se apresentou ao vivo em frente a um de seus Balloon Dogs em um show na Inglaterra, para mais de 85.000 pessoas.

 

Tive contato com os trabalhos do Koons pela primeira vez em 2014. Fui em um museu com diversas obras dele e lembro de ficar fascinada com o jeito que ele consegue misturar cultura pop, infantilidade e nostalgia de um jeito moderno e cativante para qualquer faixa etária. Com meus 12 anos, vi o Balloon Dog e outras de suas obras que simulam bexigas infláveis e na hora decidi que tinha achado meu novo artista preferido.

 

Hoje em dia me corrijo. Falar que o Jeff Koons é seu artista preferido, para mim, invalida as árduas produções de pessoas apaixonadas pelo que faziam e que dedicavam a vida a isso, em prol da vanglória de um homem que achou um meio lucrativo para produzir sem ter que sujar suas mãos.

 

Balloon Dog de Jeff Koons Foto: Shutterstock

Artista, mas nem tanto

 

O primeiro ponto que merece ser abordado quando falamos sobre Jeff Koons é, ao meu ver, o modo pelo qual ele produz suas obras. Ops. Vou reformular. O modo em que ele paga grupos de artistas para produzirem suas obras. O próprio artista já admitiu que não encosta em nenhuma das suas produções, mas paga um grupo de mais de 100 outros artistas para executarem suas ideias em massa.

 

Não é incomum que artistas tenham ajuda de outras pessoas para produzirem. Em esculturas enormes ou pinturas em canvases com metros e metros de comprimento, eu imagino que uma ajuda seja bem-vinda, mas algo me diz que para você se denominar um artista, apenas pagar pessoas para seguirem suas ordens não é o suficiente (ou que não deveria ser o suficiente). No final das contas, analisando esse processo, qual foi a sua contribuição? O dinheiro da mão de obra? Isso faz de todo rico que decidir pagar um grupo de pessoas um artista? Ou foi a ideia que você entregou para eles? Nesse caso, todo mundo que já idealizou uma pintura ou uma escultura, mas nunca a fez, é, também, um artista sem habilidades de arte mas uma mente fértil?

 

O que faz de um artista um artista e o que é arte são debates e discussões que datam décadas de duração, e não vai ser esse texto que vai te dar uma resposta, mas deixo a reflexão…

 

Conteúdo originalmente publicado no Newronio, blog escrito pelos alunos do Arenas ESPM, agência experimental do curso de Publicidade e Propaganda da ESPM. Para conferir a versão completa, clique aqui.

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