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Uma pesquisa aponta que 67% dos estudantes brasileiros de 15 anos não diferenciam uma coisa da outra…

Há muito tempo, como professor de Jornalismo, venho debatendo com meus colegas professores e com os estudantes de Jornalismo os impactos da mudança no cenário informativo trazidas pelas redes sociais e pela digitalização da vida. E, para mim, um dos maiores problemas era o que chamo de falta de “literacia” informativa, midiática ou jornalística.

Traduzindo: a exposição ao que comumente se chama de “conteúdo” sem um entendimento claro de que nem todo “conteúdo” é informação real faz com que as pessoas tendam a acreditar em tudo o que chega até elas. Afinal, o jornalismo, assim como a publicidade, o entretenimento ou qualquer outra coisa veiculada é… “conteúdo”. Mas dá para piorar: sem conseguir diferenciar alhos de bugalhos, não se sabe identificar verdades de mentiras (as fake news) e, pasme, sem saber diferenciar se o que estão consumindo é um fato ou uma opinião.

A pesquisa “Leitores do século 21: Desenvolvendo habilidades de alfabetização em um mundo digital”, realizada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e divulgada recentemente, mostra que esse fenômeno está atingindo especialmente quem deveria estar se preparando para exatamente não cair nessa: os jovens. Segundo o que foi apurado, 67% dos estudantes brasileiros de 15 anos não conseguem diferenciar fatos de opiniões – contra a média mundial de 53%.

“Mas por que raios isso importa?”, você pode estar se perguntando. Simples: numa fase em que jovens deveriam estar expostos a fontes e ideias diversas, visando exercitar e aprimorar seu pensamento crítico  para desenvolver livremente sua visão de mundo, ocorre exatamente o oposto. Ao serem expostos (sem saber) a opiniões que chegam até eles como informações e fatos comprovados, ficam mais expostos às fake news e à manipulação de seu pensamento.

No fim do dia, pessoas desinformadas são matéria prima ideal para a polarização política (sim, pois o mundo fica simplificado a “sim ou não”,  “contra ou a favor”, “A ou B” – geralmente com cada “lado” usando exatamente a desinformação para vender suas opiniões como fatos e moldar a forma como os jovens (não) pensam. Tudo fácil e simples, sem argumentação. Afinal, a “verdade” que cada opinião apresenta já vem pronta para consumir. Não precisa nem esquentar no micro-ondas…

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Jorge Tarquini

Curador de conteúdo do #TMJ

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