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Digite para buscar

Por que ainda uso agenda de papel

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… apesar das facilidades tecnológicas presentes no smartphone, no computador, no tablete (e até no smartwatch que eu ainda não tenho)

Já ouviu falar do “efeito Google”? Alguns estudiosos mostram que a facilidade em encontrar as informações que queremos faz com que não utilizemos mais a nossa própria memória. Nós a “terceirizamos” para ferramentas de busca e gadgets diversos tudo aquilo que, antes, tínhamos ao alcance de um pensamento.

Há não tanto tempo assim, sabíamos de cor o telefone de todas as pessoas mais próximas – e até mesmo de alguns estabelecimentos com os quais nos relacionamos. E sabíamos endereços e como chegar até eles – inclusive desenhando caminhos alternativos diante de um tráfego mais pesado na trilha mais óbvia. E tínhamos uma capacidade de reter informações (mas hoje elas nos chegam aos borbotões, sem que consigamos realmente reter a maior parte delas…).

“Você está exagerando…”. Responda, então: quantas vezes, em vez de se esforçar para lembrar o nome de um ator, por exemplo, você buscou pelo elenco de um filme que ele fez? Ou ficou incomunicável quando, por alguma razão, sua agenda de contatos ficou indisponível (mesmo que fosse o telefone do pai, da mãe ou até mesmo de alguém com quem está se relacionando)?

Nós estamos tão craques em encontrar informações, entendemos e refinamos o uso de “palavras-chave” nas buscas. Claro que as ferramentas digitais nos expõem a um universo de informações inalcançável pelos “métodos tradicionais analógicos”. Porém, o fracionamento e a velocidade, bem como a facilidade e a enorme quantidade de inputs, tornou impossível acompanhar tudo o que nos chega.

Essa mudança drástica na maneira como o cérebro armazena (ou não, no caso) tem feito com que esqueçamos coisas banais e corriqueiras. E aí que fico desconfortável: isso interfere não apenas nas habilidades de “lembrar”, mas certamente impacta na perda de habilidades e processos que podem ser críticos para nossa segurança e no modo de encarar o cotidiano.

E o que isso tem a ver com a minha “agenda de papel”? Simples: em vez de criar um monte de avisos no despertador do smartphone ou nas agendas diversas dos meus gadgets, por ter de escrever à mão em um pedaço de papel, estimulo minha memória – pois estou realmente prestando atenção ao que escrevo. Segundo, escrever à mão estimula uma parte do cérebro ligada à criatividade – e, ao escrever e enxergar como estou organizando a vida a cada dia naquele espaço em branco, eu tenho uma visão do todo (o que, ao menos para mim, alivia a ansiedade).

Uma outra coisa que tenho tentado ultimamente: quando meu cérebro cisma de não lembrar um nome, uma informação ou algo que deveria ser fácil de rememorar, só recorro ao Google em último caso. Ou seja: forço a barra para fazer minha memória funcionar. É antiquado? Pode ser. Mas acho que sinapse nunca vai sair de moda…   

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Jorge Tarquini

Curador de conteúdo do #TMJ

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