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‘Kerana’: game brasileiro resgata as raízes da mitologia tupi-guarani

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Projeto do Instituto Arapoty é baseado na história de Kerana, guerreira da mitologia tupi-guarani. Jogo será lançado para PC na Steam

“Percebi que nos jogos eletrônicos, assim como nos filmes, os personagens e heróis são quase sempre baseados em deuses e seres mitológicos. E pensei: onde estão os nossos deuses? Assim foi surgindo a ideia de trazer nossa mitologia tupi-guarani”. O comentário de Kaka Werá Jacupé, presidente do Instituto Arapoty, foi feito durante um painel no ESPM Soul. Ele falava sobre o game brasileiro Kerana, que está sendo desenvolvido pelo Instituto Arapoty e pela produtora Smart Studio.

De acordo com os responsáveis pelo game, a proposta do projeto Kerana – que também envolve um jogo de tabuleiro – é recuperar a história da mitologia tupi-guarani em formato de entretenimento e proporcionar uma releitura da origem do folclore nacional. 

“A história de Kerana é que ela foi encontrada na floresta dormindo quando ainda era um bebê. Ela foi criada por seres híbridos da floresta, que eram uma mistura de dois ou três animais”, lembra Kaka. “Como foi criada com outra família, ela quer saber qual sua origem e porque toda vez que pega um bastão – que estava ao seu lado quando foi encontrada – tem um poder incrível, que nem sabe para que usar”.

Representatividade nos games

Sawara Silva Santos, que trabalhou no desenvolvimento de personagens do game, conta que a escolha de Kerana como protagonista do game foi feita pela “força de sua história”. “Conversa muito bem com um jogo e dentro da história dela há outras mitologias que podem ser exploradas”, diz a designer. “Além disso, queríamos quebrar o paradigma da mulher como vítima ou sexualizada dentro do jogo. Trabalhamos muito isso nela, desde a forma que age até como se apresenta”.

Para Elaine Saron, cofundadora do Instituto Arapoty, o game “resgata nossa ancestralidade”. “Nós, enquanto povos nascidos no Brasil, ainda temos a síndrome do colonizado. Por que o que é de fora é bom e o que é daqui a gente não valoriza?”.

Quem também participou do painel, foi Vince Vader, professor da ESPM e autor de Level Hard – criando, produzindo e pesquisando games no Brasil. O especialista disse que estamos começando a ter formatos, narrativas e estéticas diferenciadas no mercado de games. “Temos hoje tantas possibilidades de trazer novas narrativas. Os videogames começam a assumir protagonismo na nossa cultura”.

Apesar disso, Vince acredita que há uma “repulsa” de gamers brasileiros aos jogos nacionais. “Estúdios maiores acabam tendo que criar produtos para o mercado internacional porque não tem espaço aqui. O game brasileiro sofre uma comparação injusta com games estrangeiros que tem um orçamento muito maior”, comenta o professor. “Quando estavam desenvolvendo o Horizon Chase (game de sucesso do estúdio brasileiro Aquiris), vinham comentários incríveis de fora e os comentários de brasileiros diziam que era uma cópia de alguma coisa”.

Desenvolvido pelo Smart Studio, Kerana ainda não tem previsão de lançamento, mas estará disponível para PC na Steam.

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Filipe Oliveira

Do clã Kardashian-Jenner a entrevistas com CEOs, até o título mundial do Corinthians. Nessa vida de jornalista já cobri de tudo um pouco: esportes, tv e cinema, agronegócio, tecnologia, negócios, empreendedorismo e setor automotivo. Depois de uma temporada de estudos e aventuras na África do Sul, voltei ao Brasil em busca de um novo desafio. Assim vim parar na equipe que criou e produz o #TMJ.

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