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4 histórias muito loucas sobre a carreira de Rashid

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Sonho de ser grafiteiro, batalhas valendo R$ 16 contra outros rappers famosos, seu primeiro nome artístico e a vida na roça. Conheça essas e outras histórias curiosas sobre a carreira do rapper paulistano

Você certamente já ouviu falar do Rashid. Provavelmente, também já ouviu e curte alguns de seus sons, como “Bilhete 2.0”, “Não é Desenho” e “Se Tudo Der Errado Amanhã”. Mas você sabia que antes de brilhar nos palcos ele tinha um nome artístico bem diferente, morou na roça, disputou batalhas valendo R$ 16 em frente ao metrô e sonhava em ser grafiteiro (ou quase isso)?

Confira essa e outras histórias curiosas reveladas pelo próprio rapper em uma entrevista que encontramos nos arquivos do Linkados na Área, programa realizado pelos alunos de jornalismo da ESPM-SP.

Seu primeiro nome artístico era Mosca

“Comecei a rimar e participar das batalhas com o nome de Mosca. Depois de um tempo acabei mudando porque enxerguei que Mosca acabava não passando aquele respeito que eu queria. Ficava imaginado o Faustão chamando: ‘Com vocês, Mosca’. Além disso, eu tinha 18 ou 19 anos e já botava tanta fé que a coisa iria dar certo que acreditava que poderia ter problemas com o Paulinho Mosca. Sei lá, já tinha alguém com um nome muito próximo daquilo.”

“Quando resolvi profissionalizar minha carreira, percebi que precisava de um nome diferente. Os caras falavam que eu tinha mó cara de árabe. O Emicida, principalmente, me via e dizia: ‘E aí, árabe. Como é que você tá?’. Então fui atrás de um nome árabe. Encontrei Rashid que significa justo ou de fé verdadeira. Depois descobri que é um nome comum também na África e lá tem um significado melhor ainda que é: guiado corretamente. Acho que tem mais a ver ainda com a parada que eu faço e tento transmitir com meu som.”

Já morou na “roça” e isso influenciou sua música

“É difícil separar o rap da urbanidade, mas eu vivi em uma região bem interiorana em Minas Gerais, popularmente falam roça. Só que, por incrível que pareça, foi onde me liguei mais ainda com o rap porque a qualidade de vida deu uma caída. Não por causa da região, mas pela necessidade, o dinheiro que faltava e a situação que eu me encontrava com minha família. Me apeguei muito [ao rap] porque tinha arte ao meu redor.”

Sonhava em ser grafiteiro

“Conheci o grafite através de um primo e comecei a sonhar em ser grafiteiro. Na verdade, queria ser graffiti writer (escritor de grafite). Eu via as paradas de caras, como o Binho, Os Gêmeos, o Chivitz, o Markone, e dizia que eu queria ser aquilo ali. Comecei a reparar que vários caras escreviam umas frases ao lado do grafite, tipo: ‘Conhece-te a ti mesmo’, frases da bíblia, de filósofos e grandes pensadores. Eu achava que eram os caras [grafiteiros] que inventavam aquelas frases e falava: ‘Mano, esses caras são muito inteligentes. Os caras desenham muito e ainda [escrevem]’.”

“Aí comecei a pensar em minhas próprias frases de efeito. Eu queria fazer um barato que os caras iriam ver a arte e dizer: ‘Nossa, o cara manda muito’. E ia ler a frase e falar: ‘Nossa, o cara é demais!’. Sem querer, por causa da minha ligação com o rap que eu já curtia e já escutava, essas frases foram ficando cada vez maiores e se tornando poesias e daqui a pouco as coisas estavam rimando naturalmente. Aí comecei a escrever minhas próprias letras, daqui a pouco já eram páginas e páginas. Era ruim pra caramba nessa época. Eu era um moleque de 12 anos querendo falar de questão social, racial, tudo aquilo que eu ouvia no rap dos outros e sentia que eu deveria falar por causa daquilo que eu vivia na rua.”

Já disputou R$ 16 em batalhas com o Emicida

“Já teve batalhas no Santa Cruz [próximo ao Metrô Santa Cruz em SP] que só tinha eu e ele [Emicida]. Chegávamos lá na noite de sábado, o esperado eram 16 MCs e só tinha o Mosca e o Emicida. E íamos no um contra o outro. Normalmente, as pessoas tinham que pagar R$ 1 para se inscrever e no máximo eram 16 MCs, ou seja R$ 16 no fim da noite e quem ganhasse levava toda essa fortuna.”

“O dinheiro acabava antes de chegar em casa, porque às vezes eu ganhava, às vezes o Emicida ganhava ou o Projota ganhava e, quando chegava em Santana, a gente comprava hot-dog e refrigerante. Quando chegava em casa, minha avó perguntava: ‘E aí, ganhou?’ e eu respondia que sim. Ela perguntava: ‘Mas o que você ganhou?’ e eu dizia: ‘A batalha só, experiência’. ”

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Confira a entrevista completa com o rapper no vídeo abaixo:

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Redação #TMJ

Produzido pelo Núcleo de Conteúdo da ESPM.

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