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Falta tempo para ser mais bem informado?

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A questão de agenda pode ser, na verdade, apenas reflexo das nossas escolhas…

A falta de tempo é a desculpa de 10 entre 10 pessoas para qualquer “furo” cotidiano: não encontrar os amigos, não comprar aquilo que havia se comprometido a levar para casa, não ir ao cinema, não ler um jornal ou um livro, não…

Fatos reais não faltam para dar um verniz de verdade a essa sensação: o trânsito para ir e vir de nossos compromissos, a escola, o trabalho, o excesso de coisas para fazer, a fila do supermercado, o cuidar de filhos e muito mais.

Péssima notícia: essa desculpa é mais velha do que parece. E não tem nada a ver com os dias que correm. Talvez você fique meio encabulado de saber que, já em 1923, as pessoas usavam essa mesma desculpa para, por exemplo, não ler jornais e se informar.

Uma dupla de jovens jornalistas viu ali uma oportunidade: em 3 de março de 1923, Henry R. Luce e Britton Hadden lançaram uma revista chamada… TIME! Com apenas 32 páginas e textos curtos, sua premissa era apresentar uma resenha da semana das notícias dos EUA e do mundo para ser lida em 27 minutos.

Isso, concordo, não muda a realidade da nossa falta de tempo atual. Vejamos… Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, o brasileiro passa  9 horas e 14 minutos conectado à internet todo santo dia, sendo 3 horas e meia somente nas redes sociais (chamadas e mensagens de Whatsapp e posts no Facebook encabeçam a lista).

Descontando um tempo do outro, ainda sobram 5h46. E o que estamos fazendo conectados? Assistindo vídeos, jogando e enviando e-mails (nessa ordem). Ver notícias jornalísticas de fontes confiáveis deveria aparecer em algum momento na lista, certo? Mais ou menos…

Isso só será verdade se a notícia estiver circulando pelo Whatsapp ou pelo Facebook. E entenda por “notícia” não apenas o que é produzido por jornalistas, de forma séria e confiável. Hoje, quase se apagou a linha tênue entre jornalismo e opinião, aos olhos de quem consome, e as fake news, que alimentam a voracidade das bolhas opinativas, são uma fonte de prazer ideológico ímpar (o mundo vai sempre ser do jeitinho como eu o enxergo, graças ainda aos algoritmos).

Só para se ter uma ideia, enquanto 77% dos brasileiros utilizam o Whatsapp para se informar, apenas 44% recorrem ao UOL, por exemplo, segundo o Digital News Report, do Reuters Institute, de junho deste ano.

Tudo isso para dizer uma coisa muito simples: as pessoas têm tempo, sim. O que não têm é vontade de escolher o jornalismo como ele se apresenta hoje – competindo com tantas atrações mais interessantes. Hora de repensarmos linguagem, olhar, formatos e a relação com quem consome o noticiário. Do contrário, continuaremos levando de 7×1 do entretenimento…  

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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