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A sanha cancelatória virou uma espécie de pandemia dentro da pandemia

Quando a vida se resume às paredes da própria casa (ou às quatro do próprio quarto) e a única janela para o mundo são as telas dos celulares e computadores, tudo o que nos chega por elas se torna “a coisa mais importante do mundo”.

A soma entre tempo, tédio e distância do mundo real acaba sendo fatal: nossa maneira de interagir com a realidade e deixar nossa marca na sociedade acaba sendo comentar o que nos chega pelas redes sociais. Assim, o que antes era mediado por conversas triviais na escola ou no trabalho, do tipo “você viu o que fulana disse?” ou “caramba, fulano fez tal coisa…”, acaba sendo metabolizado apenas na nossa própria cabeça.

Adubado pelo fato de termos mais coragem de dizer (ou melhor, escrever) coisas mediadas por telas, o filtro do debate púbico se torna um monólogo permeado somente pelas nossas próprias análises e reações primárias (de ódio, de indignação, de incômodo etc.) e as de nossa bolha. E, certamente, nem estaremos perto (ou atentos) às consequências disso tudo: o que nos importa é “desabafar e extravasar” (e, no caso das bolhas, concordar e “pertencer”).

Estão dadas as condições para um caldo de ressentimentos, de exageros, de falta de perspectiva. E de um “dane-se” para o que tudo isso vai significar para o outro. Ou seja: importância zero, empatia zero com quem quer que seja. E em um julgamento em rito sumário: eu acuso, eu julgo, eu condeno e, com o cancelamento, eu executo.

E, pior: por qualquer motivo. Pouco importa se o motivo é algo realmente digno de execução ou se é apenas algo que eu julgo “errado”, “ofensivo” ou qualquer outra coisa… Cancela-se e pronto. Sem direito a qualquer espaço para o cancelado. Ou chance de debate público: é assim e pronto!

Me lembro de outras ocasiões em que as coisas aconteciam assim, mesmo antes da internet e da modinha do cancelamento: macartismo, nazismo, repressão, tortura e morte nas ditaduras, guerras religiosas…

Se optar por continuar cancelando tudo e todos que te desagradam por alguma razão, só peço uma gentileza: pare de falar em nome da tolerância.  

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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