Sobre a tentação de jogar tudo para o alto

Depois de mais de 115 dias de distanciamento, isolamento, aulas remotas, tudo fechado e muitas incertezas, tem quem jogue todo esse esforço fora por cinco minutos de “liberdade


Cada um de nós sabe o custo, a dor, os sacrifícios e até as privações que, desde 16 de março, marcam a vida de cada cidadão deste planeta – seja quem se trancou em casa, seja quem não teve essa opção e teve de se arriscar por “n” motivos e necessidades. Portanto, a medida de sacrifício é individual.


Diante de cenas de bares lotados (e não apenas no Leblon, mas igualmente nos pubs londrinos), consigo entender a ânsia por um tico de liberdade e de normalidade. Mas não consigo entender a ideia de jogar fora todo o custo, toda a dor, todos os sacrifícios e todas as privações de mais de 115 dias por um momento de “liberdade e de normalidade”.


Desde sempre me intrigam aquelas armadilhas luminosas para pegar moscas (geralmente usadas em açougues). Parece que os insetos são atraídos pela iluminação ultravioleta e inocentemente, ao contato com uma grelha eletrificada (semelhante às das raquetes contra pernilongos), se tornam vítimas dessa “atração fatal”. É impossível não fazer a associação com o que vimos nas últimas semanas em alguns lugares do mundo: gente “indo para a luz”, como se não houvesse amanhã. E talvez não haja mesmo…


A psique humana embute essas armadilhas… Quem nunca chafurdou no chocolate, nos doces, nos pastéis de feira com apetite voraz para, em cinco minutos, acabar com semanas de regramento da alimentação? Só que exageros como quebrar uma dieta têm efeitos bem menos nefastos: no caso, pode ser apenas mais tempo para manter o regime ou ganhar alguns gramas que sempre dá para perder depois, compensando na própria alimentação ou na forma de queimar as calorias com exercícios.


No caso do Coronavírus, há ao menos três pontos a se considerar:


– pode não haver como se recuperar depois

– não se trata de opção pessoal (uma vez que você pode voltar para casa e contaminar quem não fez a opção pelo risco)

– depois de mais de 115 dias de isolamento, vale a pena jogar todo esse esforço fora por apenas alguns momentos de prazer?

Responda sinceramente. Ou pergunte às moscas…

 

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