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Pelo direito de se encantar

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Foto: Pexels

O quanto a naturalização das inovações roubou das novas gerações a capacidade de se maravilhar com elas. Imagino que seja muito triste não vivenciar algo assim…

“Não conseguia entender. Não conseguia acreditar. Parecia mágica!”

Palavras de minha avó, contando aos seus netos, sentados ao seu redor numa tarde chuvosa nos idos de 1969, como foi ouvir uma voz humana saindo de um rádio pela primeira vez. E ela resumiu bem o momento: “fiquei encantada!”.

Hoje, minha avó seria chamada de boba ou ingênua. Afinal, como alguém pode se encantar com uma bobagem dessas? Da mesma forma que meus pais contavam com euforia do primeiro encontro com a TV, mesmo que em preto e branco em 1954 – e eu, nos idos de 1972, perplexo diante da vitrine da antiga loja Mappin ao descobrir que “Os Flintstones” eram (muito) coloridos.

Hoje, neste tempo em que mal temos tempo para conhecer todas as novidades, a atitude blasé se torna a regra. Experimento falar em sala de aula sobre a possibilidade de nosso corpo se tornar uma mídia, prescindindo de telas para que nossa pele se torne “touch” e responsiva. Não vejo muitas reações. Nem de incredulidade, nem de surpresa.

Triste de quem perde sua capacidade de se encantar. Ou pior: de quem nunca teve esse direito… 

Faço hoje um exercício de empatia para entender uma certa apatia, um certo desencantamento das atuais gerações – em que muitos se entregam a um eterno estágio de ponto morto. E o faço como um leigo, buscando na minha própria existência qualquer justificativa plausível para esse estado de coisas.

Fica a pergunta: o que seria capaz de mover, motivar, espantar, desafiar, inspirar, tirar da zona de conforto e encantar as novas gerações, quando talvez até a realização da viagem no tempo ou o teletransporte, se concretizados, seriam recepcionados por um “ah, que legal”? Certamente, não haverá retrocesso algum no que diz respeito à marcha das novidades tecnológicas. Assim sendo, a resposta tem de estar em nós. Longe de ser saudosista ou nostálgico, acho que alguns exercícios banais de cotidiano podem ajudar. Como lamber um selo, postar uma carta e aguardar, ansiosamente, que ela chegue ao seu destino.

VAMOS NOS ENCANTAR!!!

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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