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As redes sociais dão uma falsa impressão de realidade, diz Phelipe Siani

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Apresentador da CNN participou de painel no 5º Seminário Internacional de Jornalismo, organizado pela ESPM em parceria com a Columbia Journalism School. Fabiana Oliveira, da Record e Mauro Beting, do SBT, também debateram o assunto

A relação entre os jornalistas e o público passou por uma profunda transformação com o surgimento das mídias sociais. Se antes essa vinculação se limitava ao papel de emissor e receptor, hoje os profissionais de imprensa podem interagir em tempo real com a audiência, recebendo feedbacks e sugestões de pauta por meio das redes. Por outro lado, essa proximidade impõe alguns riscos, como a perseguição digital. Para debater os desafios dessa nova era, o 5º Seminário Internacional de Jornalismo, organizado pela ESPM em parceria com a Columbia Journalism School, reuniu Fabiana Oliveira, repórter da Record, Phelipe Siani, apresentador da CNN Brasil, e Mauro Beting, comentarista do SBT, TNT e Jovem Pan. 

Para Fabiana, as mídias sociais possibilitam uma conexão valiosa entre os jornalistas e o público. “Conseguimos entender o olhar de quem recebe a informação e ao mesmo tempo o olhar de quem nos abastece com informações”, comentou. “Imagine quanto tempo a gente passou sem entender aquilo que as pessoas recebiam de nossas informações. Hoje estamos acessíveis o tempo todo”. 

A jornalista também comentou que não enxerga as mídias sociais como concorrentes das mídias tradicionais, mas sim como ferramentas complementares para a entrega da informação. “Não dá para pensar o rádio e a TV sem convergência com o digital. Posso estar ao vivo pelo R7 ao mesmo tempo em que estou ao vivo pelo Instagram e pelo TikTok. O importante é que nossa mensagem precisa chegar, não importando por qual estrada.”  

Phelipe Siani lembrou que conteúdos produzidos originalmente para um veículo são hoje consumidos em diferentes plataformas. “O maior erro do mundo é entender que a gente ainda trabalhar em televisão”, afirmou. “Precisamos parar de entender as coisas como uma coisa ou outra. As prateleiras estão mudando, se juntando, trocando de lugar. Se antigamente a gente se comunicava de uma maneira diferente em cada jornal ou programa, precisamos hoje aprender a comunicar diferente para cada meio de comunicação. A comunicação que faço no Instagram é diferente da que faço no Twitter e da que eu faço no TikTok”.  

Mauro Beting trouxe outro tema relevante ao debate: a liberdade de jornalistas emitirem suas opiniões nas redes sociais. “Você pode se manifestar sobre política desde que assuma a bronca”, comentou o jornalista. “Quando estou no meu blog, no meu Instagram, no meu Twitter é evidente que sou responsável pelas coisas que falo e pelos processos que eu levo”. 

Mas o comentarista lembrou que ao fazer esse tipo de manifestação, o jornalista também deve aceitar opiniões contrárias de seus seguidores. “Não podemos sair bloqueando todo mundo”, afirmou, revelando que adota uma estratégia curiosa para lidar com os haters. “Quando a pessoa vai muito no xingamento, passo a segui-la. E é muito divertido porque ou ela me xinga mais ou me bloqueia”.  

Siani, que assumiu que vez ou outra bloqueia alguns usuários mais ofensivos, alertou sobre os perigos dos algoritmos. Para ele, esses sistemas revolucionaram a maneira com que se faz jornalismo e comunicação. Por outro lado, dão uma falsa impressão de realidade.  “É muito fácil você se perder, ficar em depressão, triste ou se supervalorizar por receber elogios [nas redes]”, comentou. “Mas os comentários no Instagram não necessariamente refletem a realidade, são apenas um recorte”. 

Debate no 5º Seminário Internacional de Jornalismo, organizado pela ESPM em parceria com a Columbia Journalism School

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Tags:
Filipe Oliveira

Editor do #TMJ.

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