8 coisas que você precisa saber sobre jornalismo de dados

Tema foi debatido por jornalistas da Folha, Estadão e da The Economist Intelligence Unit em painel no 3º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/Columbia Journalism School

 

Já ouviu falar em jornalismo de dados? Explicando de maneira simplificada, trata-se de produzir reportagens a partir da apuração de bases de dados. Em uma época de polarização e que a imprensa enfrenta desconfiança, esse método de produzir notícias ganha ainda mais importância. Foi o que apontaram especialistas no assunto em um painel no 3º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/Columbia Journalism School, realizado na ESPM. Participaram do encontro Alana Rizzo, consultora na Albright Stonebridge Group, Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados, e Fábio Takahashi, editor do DeltaFolha. A mediação foi feita por Ricardo Fotios, professor de Jornalismo da ESPM.

 

 

Alana Rizzo, Daniel Bramatti, Ricardo Fotios e Fabio Takahashi no 3º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM/Columbia Journalism Foto: Ana Carolina Bilato, aluna do segundo semestre de Jornalismo

 

Com base nessa conversa, fizemos uma lista com oito pontos importantes sobre o jornalismo de dados. Confira a seguir:

 

1 – É como Ciência

 

“O jornalismo de dados nos aproxima da ciência, tendo como algo em comum o método científico, que é um protocolo que os cientistas usam para poder publicar seus estudos”, comentou Daniel Bramatti, editor do Estadão Dados e do Estadão Verifica do Jornal O Estado de S. Paulo e Presidente da Abraji. “Mesmo que a gente não se dê conta, algumas de nossas pautas nascem de hipóteses. O jornalismo de dados nos dá o poder de testar essas hipóteses e não fazer algo subjetivo”.

 

2 – Os dados estão aí para todos  

 

“O jornalismo de dados te dá uma possibilidade de fazer grandes reportagens quando você ainda não tem muitas fontes. Abriu as portas para mim [no começo da carreira] e as fontes passaram a querer falar comigo. Pode ser um diferencial quando você está começando”. Alana Rizzo, consultora na Albright Stonebridge Group e colaboradora da The Economist Intelligence Unit.

 

3 – Vai muito além dos números

 

“O número espanta, mas é muito diferente quando você dá cara a ele”, comentou Alana. “Tem muito mais valor quando você vai para a rua e mostra a dor que está sendo causada por um desvio de verba”.

 

4 – Não é feito apenas por jornalistas

 

“Trabalhos com hipóteses e depois tentamos trabalhar essas hipóteses. Pegamos grandes bases de dados e transformamos em produtos jornalísticos, infográficas, reportagens e as vezes em um caderno especial. No meu grupo de seis pessoas, misturamos gente de diferentes áreas: jornalistas, dois biólogos, um cientista social e uma infografista”. Algoritmos também são usados no processo. Fábio Takahashi, editor do DeltaFolha – Núcleo de Jornalismo de Dados da Folha de S. Paulo e vice-presidente da Jeduca.

 

5 – É um método transparente

 

“A transparência não é simples, mas talvez seja maior do que em uma reportagem clássica. Na comunidade de jornalismo de dados há um espirito de transparência grande”, afirmou Fábio. É simples, não é simples. Mas um cientista de dados pode rodar aqueles códigos e dizer se chegou ou não a aquele resultado [publicado pelo jornalista]. É uma transparência mais efetiva”.

 

6 – Saber programar não é fundamental

 

“Não precisa saber, mas eu diria que em uma equipe de dados é fundamental que alguém saiba”, explicou Daniel ao ser questionado se saber SQL (linguagem de programação) é fundamental para fazer jornalismo de dados. “Fizemos uma matéria sobre o Fies, por exemplo, que tinha uma base de dados com 16 milhões de linhas e mais de 50 colunas. Não há Excel ou programa similar que abra isso. E o SQL é uma das maneiras de trabalhar esses dados”.

 

7 – Nem toda base de dados é confiável

 

“Um dos princípios sagrados do jornalismo é: desconfiem dos seus dados. Tivemos uma apuração no Estadão de quase um mês e decidimos jogar fora porque consideramos que a base não era confiável”, disse Daniel. “Trate o dado como qualquer fonte. Quando você faz uma entrevista, não acredita em tudo que uma pessoa fala. É o mesmo com as bases de dados”.

 

8 – Algoritmos ajudam, mas não são 100% confiáveis

 

“Tem um ser humano programando robô [algoritmo usado no processo de coleta e análise de dados] e as vezes ele também erra. Desconfiança é fundamental, não é porque tem um robô trabalhando que ele está trabalhando bem, ele é programado por humanos”, comentou Fábio.

 

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