Coordenador do curso de Direito da ESPM explica como essa nova fase está transformando a atuação jurídica
Muito se tem falado sobre Direito 4.0, mas nem todo mundo sabe exatamente o que é. Trata-se de um aperfeiçoamento do trabalho do advogado e se traduz em uma adaptação às evoluções tecnológicas e às mudanças da sociedade. “Significa entregar valor para o cliente, porque o Direito 4.0 vê deficiências nos processos da empresa a partir da análise de dados de onde se extraem elementos importantes que possibilitam melhorias”, explica Marcelo Crespo, coordenador da graduação em Direito da ESPM.
O que é Direito 4.0?
É uma evolução do direito mais tradicional, que não vivenciava os desafios da inovação tecnológica, não convivia com as techs e os modelos de negócios de multi stakeholders, como e-commerce, pedidos de comida por aplicativo, outros tipos de comércio virtual e a própria relação das pessoas com as redes sociais. Esse novo cenário demanda preparo das empresas e nesse sentido é necessário contar com profissionais que saibam resolver questões legais que surgem no ambiente digital.
Quais tecnologias fazem parte desse novo momento do Direito?
Nas áreas que lidam com processos e contratos, trabalha-se com big data para jurimetria, basicamente, e em empresas usam-se softwares de gestão de fluxo de dados pessoais, gerenciamento de LGPD, inteligência artificial – chatbot e outros canais de atendimento omnichannel –, internet das coisas e big data também.
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O que muda na rotina dos escritórios e dos advogados?
Hoje quase toda a comunicação com o consumidor é omnichannel e as empresas que atuam com novos modelos de negócios precisam ter um departamento jurídico que lide com essa realidade. O advogado tem de ter uma formação mais robusta e uma visão mais ampla no sentido de trabalhar para proteger a empresa e atender as demandas dos clientes, respeitando leis como a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Já o advogado solo ou de um escritório especializado usa as ferramentas tecnológicas disponíveis para redigir documentos, petições e fazer explanações em um julgamento.
Como essas mudanças funcionam na prática?
No que se refere a questão processual, o profissional se vale de ferramentas como jurimetria, visual law e legal design. Já em uma empresa, o maior peso da atuação do advogado recai sobre a análise de dados coletados junto a manifestações de clientes para criar estratégias e melhorias para o negócio. Por exemplo: com a LGPD o consumidor pode, a qualquer momento, questionar quais informações a seu respeito são armazenadas pela empresa e como são utilizadas. Quando o advogado atento identifica um padrão de solicitação dos clientes ele pode pensar em caminhos e estratégias para lidar com isso rapidamente, e até mesmo fazer a interface com outros departamentos da empresa para a melhoria de processos e antecipação de problemas na operação.
Quais são os requisitos para atuar neste cenário?
O profissional que está há algum tempo no mercado precisa se atualizar, porque de maneira geral os cursos de Direito não preparam o aluno para o uso da tecnologia a fim de formar um profissional com visão de negócio e repertório humanista, as chamadas soft skills. Uma vez que se trabalha com tecnologia, também é fundamental dominar o inglês, pois hoje essa habilidade determina, em muitos casos, a contratação de um profissional.
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