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Claro que você tem uma opinião…

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Um dos maiores baratos do mundo conectado das redes sociais é sairmos do papel passivo de “receptores” para produtores e emissores de conteúdo. Mas usar esse “poder” para opinar sobre tudo também gera um enorme pesadelo… Lacração pode ser bacaninha para ganhar likes. Mas arrisca deixar o lacrador parecendo uma bexiga brilhante: linda, mas sem nada dentro além de ar

O que você acha das queimadas na Amazônia? O que pensa sobre o Brexit? Qual sua opinião sobre o acordo comercial Mercosul/União Europeia? Como vê a mudança nas regras da Previdência ou a reforma tributária?

Agora, vamos mudar levemente as mesmas perguntas:
O que você sabe sobre as queimadas na Amazônia? O que conhece sobre o Brexit? Quais os pontos com os quais concorda e discorda no acordo comercial Mercosul/União Europeia? Consegue explicar como eram e como ficaram as regras da Previdência ou as sugestões da reforma tributária?

Exatamente para saber como isso funciona na prática, faço um pequeno exercício com meus alunos no primeiro dia de aulas da disciplina Crítica da Mídia.

Tudo muito simples: pego um tema do noticiário do dia ou da semana, de preferência bem polêmico e sobre o qual todo mundo já tem uma opinião formada, e peço para os alunos escreverem numa folha de papel TUDO O QUE PENSAM sobre o fato/assunto. O limite é um lado da folha. Em 15 minutos, temos uma página inteirinha, preenchida por opiniões caudalosas, repletas de argumentos, razões e contrarrazões.

Peço para que risquem esse lado da página e que, no verso, escrevam TUDO O QUE SABEM sobre o fato/assunto. Peço nomes, datas, números – enfim, informação objetiva. Nos mesmos 15 minutos, os prolíficos opinadores conseguem preencher apenas quatro ou cinco linhas.

Eis o gancho necessário para mostrar, na prática, que nenhum bom jornalista pode ter uma página de opinião sobre algo do qual ele possui apenas cinco linhas de informação. Explico como isso é desonesto do ponto de vista humano e antiético do ponto de vista jornalístico.

Funciona com os alunos. Mas como dar esse “toque” para os outros 7,7 bilhões de humanos, ávidos por lacrar, ganhar likes, mostrar ao mundo sua opinião fundamental sobre tudo?

Talvez a empatia possa ser um caminho. Afinal, cada um deles espera dos outros sobre si uma opinião/julgamento no mínimo balizada por fatos.

Bem, essa é a minha opinião…

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Jorge Tarquini

Sou um jornalista curioso e que se aventura por alguns lugares e experiências: já dirigi revistas, trabalho com produção de conteúdo, escrevo livros (um segredo: escrevi O Doce Veneno do Escorpião, o "livro da Bruna Surfistinha") e roteiros e, agora, faço parte da equipe que criou e produz o #TMJ. Ah: também virei professor de Jornalismo. Ansioso para descobrir para onde os novos tempos, meios e tecnologias podem me levar: afinal, é sempre um prazer me aventurar por novos desafios.

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